Terça-feira, Julho 01, 2008
O Futuro Perfeito

Há três meses, eu falei sobre a Tokyo Ska Paradise Orchestra (東京スカパラダイスオーケストラ), uma Big Band de Ska que atua na capital do Japão. Quando publiquei aquele texto, faziam apenas cinco dias que o cd Perfect Future tinha sido lançado. Depois de muita dificuldade para colocar as mãos neste cd, algumas audições e apreciações, posso falar que este é um dos melhores trabalhos do combo japonês.

Os dez músicos estão no topo da forma. Passaram-se dois anos desde o lançamento de Wild Pace, último cd de músicas inéditas. O hiato, coisa não muito comum às bandas asiáticas, se deve ao fato da turnê de promoção deste disco que passou por vários pontos da Europa e da Ásia.

Perfect Future

No disco predominam as faixas instrumentais. A primeira, que dá nome ao cd, já traz o tom do disco: Rápido, bem executado e contagiante. Depois de Perfect Future, temos a primeira faixa cantada Megami no negai, uma balada com levada bem diferente.

A partir da faixa três, vemos a introdução de paisagens sonoras para compor o clima de cada música. Destaques para 964 Speedster, melhor faixa do cd e Warrior chant, com a introdução feita com sons de cascos e relinchos.

As variações no estilo também estão presentes. A sétima faixa, Last temptation, aflora o lado jazzista da orquestra. E já na faixa seguinte, Latin Scorcher, os ritmos latinos estão representados por um quê de salsa.

Daí até a décima terceira faixa, voltamos a marca da Skapara. Seu ska com espaço para todos mostrarem seu talento nos solos, principalmente Tatsuyuki Hiyamuta, Gamou e Atsushi Yanaka, saxofonistas de primeira linha.

A faixa que a orquestra escolheu para ser hit se chama Pride of Lions, mas não irei colocar o vídeo dela aqui porque a letra é em inglês. Como o único clipe produzido desde o lançamento do cd foi este, irei colocar uma apresentação ao vivo da oitava faixa de Perfect Future, Latin Scorcher. Aproveite!


 
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Quarta-feira, Junho 18, 2008
Parabéns aos imigrantes
Hoje, dia 18 de junho, faz exatamente 100 anos que o navio Kasato Maru trouxe os primeiros imigrantes japoneses para o Brasil.

Eu, como entusiasta da cultura nipônica e responsável pela Ásia aqui no Invasões Bárbaras, não poderia deixar essa data passar em branco.

Para marcá-la, trago para vocês vídeos da cantora Koizumi Nilo que, apesar de ter nascido em Sapporo, na ilha de Hokkaido, encantou-se pela música brasileira. Entre seus artistas favoritos, figuram nomes como Seu Jorge e Tom Jobim. A maior homenagem de Kozumi à Terra Brasilis foi o cd Bossa@Nilo ~Ipanema~, lançado em abril deste ano.

Abaixo os vídeos de duas faixas deste cd. Primeiro, você confere Mas que nada, imortalizada por Jorge Ben e "emprestada" por Sérgio Mendes. Depois, uma apresentação ao vivo de Só Danço samba, do eterno poetinha Vinícius de Moraes. Gozaimasu!



 
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Sábado, Maio 24, 2008
Intempéries do iletramento intercontinental
A postagem abaixo, além de mostrar um pouco mais do bom trabalho da banda sul-coreana Roller Coaster, serviu também para dar uma idéia dos apuros que nós, pesquisadores bárbaros, passamos quando vamos pesquisar alguma coisa em alfabeto/sistema de escrita diferente do latino. Serviu ainda para sinalizar qual é a estratégia dos artistas destes países que não usam o alfabeto latino para tornarem sua música mais acessível, ou pelo menos fazer seu nome legível para o público ocidental.

Uma coisa é você pesquisar uma banda sérvia chamada Riblja Čorba. Você pode não ter a menor idéia do que Riblja Čorba significa ("sopa de peixe"). Você nem imagina como se faz para digitar esse c com circunflexo invertido em cima. Mas estes caracteres especiais normalmente são ignorados pelos buscadores, de modo que, digitando riblja corba, você consegue chegar às informações e aos arquivos sobre a banda.

Agora, imagina uma banda que se chama 롤러코스터. Primeiro que é altíssima a possibilidade de seu computador, ou algum programa específico que você esteja usando, não conseguir exibir este sistema de escrita e mostrar um 롤러코스터 ou uma seqüência □□□□□ de quadrados aparentemente aleatórios. Segundo que, supondo que você tenha visto o nome da banda numa capa de CD e queira pesquisar alguma informação sobre ela, você vai precisar de uma ferramenta específica para ir digitando e formando o 롤, o 러 e assim por diante (no caso de o nome ter sido visto em um texto na web, um Ctrl+C/Ctrl+V resolveria).

Pensando nisto, algumas bandas do Extremo Oriente em especial (Coréia do Sul, Japão e China, que compõem o chamado sistema CJK nas ferramentas de digitação de caracteres especiais) resolveram estabelecer uma interface amigável com os prospectáveis fãs ocidentais. Criaram um nome ocidental e inundaram nossos mercados com este nome, simples assim. No caso do Japão e da China, geralmente os seus kanji/hanzi (tecnicamente são logogramas; nem são letras, nem palavras, nem ideogramas) contêm uma profusão de sentidos - históricos, regionais ou contemporâneos - que tornam difícil chegar a uma tradução simultaneamente fiel/apropriada/de boa sonoridade. Desta forma, o nome ocidental (geralmente em inglês) tem pouco a ver com o original. É meio o que acontece quando você ganha um nome chinês: de "Anita Campos" para "raios de imensidão".

Já no caso da Coréia do Sul, parece que o próprio estilo das bandas "exportáveis" - moderninhas, com elementos de música ocidental e linguagem contemporânea - facilita as coisas. Os nomes das bandas sul-coreanas e de suas músicas costumam ser traduzidos literalmente do idioma coreano para o inglês (sim, sempre ele), como é o caso de 롤러코스터 para Roller Coaster e de 무지개 para Rainbow.

O ideal seria conhecer esta produção musical diretamente na fonte, mas, como tem muito mais coisa a ser descoberta no mundo musical do que a gente dá tempo de pesquisar e aprender, estes atalhos lingüísticos vêm bem a calhar.
 
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Roller Coaster - Rainbow
Se tem uma coisa que a Roller Coaster não é, é banda de uma música só. Foram cinco álbuns lançados, daqueles de ouvir do início ao fim. A banda reúne o que há de melhor gosto na música sul-coreana. São muitas as bandas que fazem fusão de jazz, pop, música eletrônica, rock, mambo e bossa-nova e o fazem com qualidade, mas a Roller Coaster/롤러코스터 consegue ser a mais completa deste universo, sem piorar sensivelmente ao passar de um gênero para outro.

Aparentemente a Roller Coaster encerrou suas atividades. Mas afinal, cinco discos com várias faixas são bastante coisa para curtir a música destes sul-coreanos. O clipe abaixo, Rainbow/무지개, é mais jazz e mais eletrônico.


 
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Quinta-feira, Maio 22, 2008
Santoaleixo
San Alejo é o nome de uma simpática cidadezinha em El Salvador. O santo que lhe deu o nome é conhecido entre nós por Santo Aleixo. Viveu na Idade Média, e já foi muito mais pop no seio da Igreja Católica, no tempo em que era padroeiro dos professores.

No Brasil também tem Santo Aleixo, localidade turística que é distrito de Magé, no Rio de Janeiro.

Sanalejo, tudo junto, é a grafia correta do nome de uma banda colombiana que desde 2003 vem se revelando uma máquina de vender discos. O gênero musical é o tropipop, compartilhado por outras bandas compatriotas como Bonka e Wamba e sucesso entre os estudantes de colégio. Sanalejo é o principal nome do tropipop, não sem o merecer. Estão há mais tempo na estrada e se situam em um patamar acima dos demais em relação à estética e ao esmero nas produções. Fazem seu trabalho com mais naturalidade; suas letras não se limitam a temas melosos, mas falam de humor, diversão com os amigos, porres e liberdade.

Os primeiros discos do Sanalejo, o homônimo de 2003 e Alma y locura de 2005, contêm uma dose de ingenuidade sonora típica das bandas novas criadas por pessoas jovens. Solo he quedado e Pa'na, no álbum Sanalejo, além de El Culevante e Mujer Calavera, no Alma y Locura, são exemplos de músicas despretensiosas que deixariam insuspeita a real dimensão do trabalho da banda. Por outro lado, nestes mesmos discos já é possível encontrar sinais de que o cadinho sonoro do Sanalejo carrega muito mais tipos de materiais do que uma análise superficial poderia concluir. Faixas como Barman, no primeiro disco, e El Diablo e Guaricha, no segundo, atestam que a receita da banda não é apenas música caribenha + música pop/2: existe, também, muito ska, funk, fanfarra, voz, ritmo, tempo nesta brincadeira. São vários os sinais de que há um trabalho em evolução.

Esta evolução acontece no álbum No lo hagas, de 2007. É o típico CD em que se percebe a mão do produtor em cada detalhe, como que querendo dar um rumo, um posicionamento bem definido para a banda. É um álbum mais pop, no sentido de procurar agradar o gosto médio, mas também mais sofisticado: os caras passaram a usar recursos, instrumentos, efeitos sonoros de que não dispunham nas apresentações dos tempos de colégio. Influências do jazz, funk, soul, reggae são perceptíveis ao longo do CD, que tem seus hits pop, como Mejor que tú no hay nada e Me gusta (pequeña putita), mas também música para momentos de menor euforia e igual contentamento. O tropipop está praticamente enterrado, afogado pelos instrumentos de sopro que dominam o álbum e garantem o sutil entrelaçamento com a latinidade. O ponto alto do disco fica com o ska, que os músicos da banda finalmente puderam levar a cabo com toda energia. Loco e De tripas corazón são infinitamente mais contagiantes do que Barman, que ainda guardava um quê de downtempo.

Com o álbum No lo hagas, a banda Sanalejo pretende deixar claro que agora faz um som de adultos, mas não para os adultos. A banda amadureceu, talvez querendo acompanhar os colegas de colégio que foram para a universidade. Mas não deve envelhecer o som a partir daí, sob pena de perder a juventude que a definiu desde os primeiros sucessos. O disco é bem variado, mantendo a proposta eclética do grupo. Mas se é preciso indicar alguma coisa, Mirando al sur e Amapola representam a contribuição do Sanalejo para uma proposta integradora de música latino-americana. Me gusta (pequeña putita) é um elogio à lascívia feito com bom gosto. É o típico hit pouco programado: não foi a primeira música de trabalho do disco, mas é aquela que acaba e ainda nos deixa a pensar nela, na letra bem tramada. Este é o clipe oficial e dessincronizado; em pouco tempo deve ser possível encontrá-lo na fluência normal.


 
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Domingo, Maio 18, 2008
Nosliw - Wie Weit
Em homenagem à nossa animada estagiária Adriana Costa, fecho esta série diária de posts com mais um clipe do reggueiro alemão Nosliw, o cara que lançou um CD com o mesmo título de um do Legião Urbana (Mehr Davon x Mais do Mesmo) A música é Wie Weit, e a letra é muito útil de acompanhar para quem está aprendendo alemão. Uma ótima semana para todo mundo.


 
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Acabou a Wódka
A banda de punk rock Pidżama Porno (pronuncia-se pidjama) foi a sensação da semana especial sobre música polonesa. A música Wódka conquistou público e crítica, sendo também destaque de nossa primeira apresentação como Djs Bárbaros.

Como alguns anos já se passaram, cabe aqui uma triste atualização. A banda acabou em 09 de dezembro de 2007, depois de ter existido por 20 anos. Foram mais de dez álbuns e um DVD de despedida, de nome Finalista.

O som da banda pode ser colocado entre o ska-punk e o punk-rock. O universo das letras ia desde mensagens políticas até baladas românticas. Estes intervalos por onde a Pidżama Porno flutuou talvez expliquem o seu sucesso na Polônia e o reconhecimento em outros países da Europa.

O clipe abaixo não é oficial da canção Wódka, mas é até divertido, e pelo visto foi feito seguindo o espírito da banda.


 
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Sábado, Maio 17, 2008
Mais do Après La Classe
Este é o clipe da música Paris, do Après La Classe. Não é das minhas preferidas, mas é a que catapultou o grupo para o sucesso.



 
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Coletivo Techno Nortenho
Algum brasileiro já tentou misturar música caipira (e não sertaneja) ou nordestina com música eletrônica? Foi mais ou menos isso que fizeram os tijuanenses do Nortec Collective. Nortec é a fusão de norteño (música típica do norte do México, como o nome indica) e techno, uma referência à fusão com música eletrônica, não necessariamente o próprio techno.

O Nortec Collective surgiu em 1999, e já se apresentou em vários lugares do mundo. Faz um som que se presta bem para exportação, uma espécie de aperitivo para ouvidos gringos do que constitui a música tradicional rural mexicana. O grupo foi indicado ao Grammy e também teve uma de suas canções indicadas para a trilha sonora do jogo Fifa Soccer. Trata-se da canção Tijuana Makes me Happy. É uma das poucas do grupo que são cantadas, e é em inglês. No geral, as músicas do Nortec Collective não possuem mais do que algumas amostras de vocais.

É importante não confundir o estilo musical "nortec" com a banda "Nortec Collective". A banda é uma das principais representantes desta corrente musical, que já possui bastante vitalidade e goza de bom conceito entre a crítica, sendo ainda objeto de análise acadêmica.

O clipe abaixo, Tengo La Voz, é um interessante passeio pelas ruas de Tijuana.




 
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Sexta-feira, Maio 16, 2008
Algo Está Cambiando - Julieta Venegas
A Rainha é sempre lembrada, mas ainda não foi ouvida aqui no blog. Esta música Algo Está Cambiando é do álbum "Sí", de 2003, o penúltimo da cantora Julieta Venegas. Tenho ouvido ultimamente, mas nem sabia que tinha clipe. Gosto da letra. O clipe segue a fotografia comum aos clipes da cantora, apenas é um pouco parado para a música, que tem lá suas viradas.




 
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Anna Mulle End - Dê-se para mim
Aqui vai uma tradução aproximada de Anna Mulle End, da banda de rock estoniana Genialistid. Observem como a letra é uma série de jogos de palavras, muitas vezes intraduzíveis."Punkt" quer dizer ponto mesmo, o ponto final da frase. Mas também pode ser entendido como formando uma palavra composta com as demais frases da estrofe: ponto de apoio, ponto inicial, ponto de mutação. Créditos para Ana H., da Estônia.

Anna Mulle End - Dê-se para mim

anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end

anna mulle toetus ja poetus ja koitus punkt - Dê-me suporte e apoio e coito ponto.
anna siirus ja viirus ja kiirus punkt - Dê honestidade e vírus e velocidade ponto.
anna algus ja valgus ja selgus punkt - Dê início e luz e claridade ponto.
anna muute ja puute ja suute punkt - Dê mutação e encontro e realização ponto.
anna hipi ja nipi ja vipi punkt - Dê hippie e truque e VIP ponto.
anna loome ja soome ja toome punkt - Dê criação e Finlândia e cerejeira-brava ponto.
anna stiili ja viili ja kiili punkt - Dê estilo e arquivo e libélula ponto.
anna marsi ja parsi katarsi - Dê marciano e parsi catarse

anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end

anna mulle soki ja roki ja loki punkt - Dê-me meia e rock e fechadura ponto.
anna suusa ja puusa ja tuusa punkt - Dê esqui e quadril e ás ponto.
anna ussi ja sussi ja vussi punkt - Dê cobra e chinelo e imbróglio ponto.
anna numbri ja skumbrija kilu punkt - Dê um número e um quilo de cavala ponto.
anna kapi ja papi ja sapi punkt - Dê estante e grana e bílis ponto.
anna kahvli ja vahvli ja tahvli punkt - Dê garfo e canudinho e quadro-negro ponto.
anna panni ja vanni ja punni punkt - Dê caçarola e banheira e rolha ponto.
anna tormi ja tungi ja pungi - Dê trovão e impulso e punk

anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end

anna mulle end
anna mulle end

anna mulle ukse ja okse ja tukse punkt - Dê-me porta e vômito e batida ponto.
anna kohvi ja lohvi Gaddafi punkt - Dê café e pneu e Gaddafi ponto.
anna kommi ja pommi ja trammi punkt - Dê doce e bomba e bonde ponto.
anna selge ja helge ja kulge punkt - Dê claro e brilho e providência ponto.
anna tunni ja punni ja ... punkt - Dê hora e rolha ... ponto.
anna hääle ja meele ja keele punkt - Dê voz e mente e língua ponto.
anna hüppe ja vappe ja toppe punkt - Dê pulo e tremor e dobro ponto.
anna sisse ja kesse ja kusse - Dê acesso e o quê e agora

anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end
anna mulle end
 
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